Este tambor de madeira e couro é um objeto-testemunho de um dos conflitos mais sangrentos e complexos da história brasileira: a Guerra do Contestado (1912-1916). Utilizado por comunidades camponesas de caráter messiânico no sul do Brasil, o instrumento servia tanto para rituais religiosos quanto para a comunicação e o ânimo das tropas rebeldes contra o poder central e as empresas transnacionais de ferrovias.
A análise de Marilene Weinhardt destaca que o tambor transcende sua função musical para tornar-se um símbolo de resistência e fé. Ele representa a voz de uma população marginalizada pelo projeto republicano de progresso, que lutava pela terra e por uma vida digna sob a liderança do monge José Maria. A preservação deste objeto no MHN é fundamental para visibilizar as lutas rurais e os movimentos sociais frequentemente silenciados pela historiografia oficial, oferecendo uma perspectiva alternativa sobre a formação da República brasileira.