Moedas da Magna Grécia e da Sicília fazem História 

A chamada Magna Grécia compreendia as áreas ao sul da atual Península Itálica e o lado leste da ilha da Sicília, que foram colonizados pelos gregos entre os séculos VIII e VI a.C.  

Essas colônias tornaram-se cidades prósperas (gr. póleis), onde desempenharam um perfil fundamental na disseminação da cultura helenística na Península Itálica, com bem 40 (quarenta) centros urbanos. Num sentido mais amplo, inclui ainda a ilha da Sicília, onde também se verificou, além de sua língua, o fenômeno da colonização e difusão da cultura grega como da religião, arte, arquitetura, escrita, etc. Os novos gregos e as suas colônias cunharam moedas da extraordinária beleza e das quais o Museu Histórico Nacional (MHN) conserva milhares de exemplares: tais peças, reflexos das culturas helênico-itálica e helênico-siciliana, fazem parte da chamada coleção “Antônio Pedro de Andrade”.  

Veremos aqui alguns exemplares cunhados em algumas colônias, apresentados no sentido de norte a sul das respectivas regiões.  

As cunhagens de moedas propriamente ditas, iniciaram na Magna Grécia a partir do século VI a.C. e perduraram até a ocupação romana no séc. III a.C., estendendo-se ainda a várias comunidades da Itália Central como Phistelia.  

Dentre as colônias mais antigas da Magna Grécia, Sybaris foi a primeira “pólis” a cunhar moeda, por volta de 540–530 a.C., seguida das colônias de Caulonia, Poseidonia, Croton, Tarentum e Metapontum. 

Essas primeiras moedas foram cunhadas de maneiras incusa, ou seja, o tipo do anverso em relevo aparece também em negativo no reverso, no mesmo alinhamento, provenientes de Sybaris, Metapontum, Poseidonia, Croton e Caulonia, respectivamente. 

Outras cidades ou “póleis” também cunharam moedas de prata com a técnica tradicional, como Hyele (Velia) no século V a.C., e posteriormente, ao longo do mesmo século, também Terina, Rhegium, Thurii e Taras (Tarentum). Os tipos sicilianos foram até difundidos e cunhados por artesãos grecânicos em cidades da África, como Carthago. 

Na ilha da Sicília, várias cidades cunharam moedas a partir de 530 e 480 a.C., como Naxos, Zankle (com Messina), Himera, Selinunte e Sybaris, posteriormente.

Os tipos em relevo sobre as peças magno-gregas e sicilianas mostram símbolos das cidades como animais, plantas, objetos, rituais, e depois frequentemente a representação de cabeças de divindades gregas locais. Aparecem ainda variações de pequena dimensão em prata em Taras (Tarentum), Syracusae, Naxus, Camarina e, posteriormente estendeu-se até a Gallia, com a colônia de Massalia. 

Algumas cidades magno-gregas e sicilianas também cunharam peças em bronze, como, por exemplo, Thurii (cerca de 480 a.C.), Acragas (Agrigentum), Gela e Himera, entre outras. Por volta de 480–450 a.C., aparecem tipos mais numerosos, como em Syracusae  e em Messina, Leontini, Agrigentum, e Gela. As moedas de Syracusae são as peças mais significativas com o relevo da cabeça da ninfa Arethusa. 

A partir do V século a.C., destacam-se as emissões de prata magno-gregas de Neapolis, Thurii, Hyele (Elea) e Tarentum.  

Além disso, no IV século a.C., destacam-se tipos especiais e diversos em moedas de Locri Epizephyrii, Hipponium, Poseidonia (Paestum) e Phistelia, em plena região Campania.  

De Syracusae emergem as pratas e os bronzes com cabeça da deusa Athena em 375–345 a.C., além dos tipos de 317–305 a.C., com os da deusa Ártemis. É aí que terminam as cunhagens puramente magno-gregas e sicilianas, com as cópias dos cartagineses, que já haviam tomado o lado oeste da ilha da Sicília, enquanto a chamada Magna Grécia foi invadida pelos romanos. 

Fotos:

Cléber José das Neves, Museólogo (In Memoriam)

Oscar Henrique Liberal, Fotógrafo (IPHAN). 

Fontes: 

MAGALHÃES, M.M. Sylloge Nummorum Graecorum Brasil I. Moedas gregas e provinciais romanas. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2011. 

LAGO, L. A. C. do. A coleção do Museu Histórico Nacional e a história da moeda metálica: as seções “grega” e “provincial romana”. In: MAGALHÃES, M.M. Sylloge Nummorum Graecorum Brasil I. Cidades gregas e provinciais romanas. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2011, pp. 9–23. 

GRECO, E. Magna Grecia. Bari, Laterza, 1983. 

TORELLI, M. — COARELLI, F. Sicilia. Bari, Laterza, 1984.