Pulseira
Número de registro
17324
Descrição
Pulseira constituída de três placas retangulares rendilhadas, com decoração fitomorfa estilizada. Conectando as placas, doze cilindros articulados. Usada por negras baianas.
Denominação
Pulseira
Técnica
Material
Forma de aquisição
Fonte de aquisição
Referência de aquisição
Processo 11/1956
Local de produção
Data de produção
[18--]
Termos de indexação
BAHIA | DIÁSPORA AFRICANA | ESCRAVIDÃO | ESCRAVIZADOS | JÓIA DE CRIOULAS | MANOEL GOMES MOREIRA | NEGRAS BAIANAS | NEGROS
Altura (cm)
1,00
Largura (cm)
4,00
Comprimento (cm)
21,00
Peso (g)
82000,00
Observações
Chegando a ser proibido seu uso no período colonial, os conjuntos de joias em ouro e prata conhecidos como "joias de crioula" tornaram-se, no século XIX, símbolos de prosperidade e prestígio social, além de proteção religiosa para as escravizadas, libertas ou livres de cor, africanas e crioulas que as portavam (Farias, 2022).
Produzidas em Salvador/BA e também comercializadas em outras províncias do Brasil, as "joias de crioula" funcionavam como método de poupança, garantia ou pagamento efetivo de empréstimos, e integravam uma rede financeira composta majoritariamente por mulheres como credoras e devedoras. Homens e mulheres de outras condições sociais e até instituições participavam dessas transações quando do saldo de dívidas e solicitação de crédito (Farias, 2022).
Factum (2009) explica que a presença de efígies de membros da família real era um padrão comum no século XIX, denotando o projeto de inserção social de suas usuárias. Chama atenção o uso de coral em alguns casos para os cilindros de conexão das placas, uma referência às tradições africanas da costa ocidental do continente, em que contas e corais eram plenos de força mística.
Referências expográficas
Exposição "Vitrines do passado", Museu Histórico Nacional/RJ, de 27 de novembro de 1992 a 05 de agosto de 1994. | Exposição “Pérolas da Liberdade: Joalheria Afro-Brasileira”, Grand Hornu Images, Hornu/Bélgica, de 22 de outubro de 2011 a 26 de fevereiro de 2012 (Festival Europalia) | Exposição de longa duração "Entre mundos", Museu Histórico Nacional, 2010
Referências bibliográficas
FACTUM, Ana Beatriz Simon. "Joalheria escrava baiana: a construção histórica do design de joias brasileiro". Tese de Doutorado, Arquitetura e Design, USP. São Paulo, 2009. | FARIAS, Juliana Barreto. Penca de balangandãs. In: KNAUSS, Paulo; LENZI, Isabel; MALTA, Marize (orgs.). "História do Rio de Janeiro em 45 objetos". Rio de Janeiro: FGV, 2019, p. 84-93. | FARIAS, Juliana. "Mercados minas: africanos ocidentais na Praça do Mercado do Rio de Janeiro (1830-1890)". Rio de Janeiro: Prefeitura do Rio, Casa Civil, Arquivo Geral da Cidade do Rio, 2015. | FARIAS, Juliana. Pulseiras de placas. In: "Histórias do Brasil: 100 objetos do Museu Histórico Nacional (1922-2022)". Rio de Janeiro: MHN, 2022. p. 195-197. | LODY, Raul. "O negro no museu brasileiro: construindo identidades". Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. | MAGALHÃES, Aline Montenegro. Da diáspora africana no Museu Histórico Nacional: um estudo sobre as exposições entre 1980 e 2020. In: "Anais do Museu Paulista", São Paulo, v. 30, p. 1-29, 2022. | MAGALHÃES, Aline; AZEVEDO, E.; CASTRO, F.; SANTANA, S. Notas sobre a Diáspora Africana na exposição e nas ações educativas do Museu Histórico Nacional. In: "Anais do MHN", v.51, p.44-64, 2019. | OLIVEIRA, Octávia Corrêa dos Santos. Ourivesaria brasileira. In: "Anais do Museu Histórico Nacional", v. IX, Rio de Janeiro, 1948. | VIANNA, Marfa. O negro no Museu Histórico Nacional. In: "Anais do MHN", v. VIII, 1947, p. 82-99.
Autoria das fotos
Jaime Acioli





