Estátua alegórica
Número de registro
3665
Descrição
Estátua em gesso pintado de preto. Retrata um menino de pé sobre rochedo, sustentada por base circular em madeira na cor preta. O menino tem cabelos curtos crespos, olhos ligeiramente voltados para baixo. Expressão sorridente. Corpo sinuoso e magro. Usa tanga listrada nas cores vermelha, azul, branca e dourada. Perna direita voltada para trás, a perna esquerda apresenta algema com parte de corrente presa ao tornozelo. Braço direito erguido empunhando placa de madeira com a inscrição em letras brancas: "Honra / a / D. Pedro II / lei da emancipação / de 28 de setembro de 1871 / no ministério do / Vde. do Rio Branco". Braço esquerdo flexionado para trás, sustentando parte de corrente em metal. Assinatura do autor na lateral da base direita em reserva: "A. D. Bressac".
Denominação
Estátua alegórica
Título
Alegoria à Lei do Ventre Livre
Autor
Técnica
Local de produção
Data de produção
18--
Termos de indexação
ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO | ABOLICIONISMO | DIÁSPORA AFRICANA | ESCRAVIDÃO | ESCRAVIZADOS | ESCRAVOS | KEHINDE WILEY | LEI ÁUREA | LEI DO VENTRE LIVRE | LEI RIO BRANCO | LIBERDADE | NEGROS | PRINCESA ISABEL | RACISMO | SEGUNDO REINADO | VISCONDE DO RIO BRANCO
Altura (cm)
171,00
Largura (cm)
131,00
Observações
Esta escultura alegórica foi encomendada por membros do Movimento Abolicionista ao escultor francês A. D. Bressac, ela tenta transmitir o espírito com que os entusiastas daquela causa viam esse diploma legal (Lei do Ventre Livre). Observe-se que a escultura tem o claro objetivo de enaltecer o Imperador Pedro II, apresentado como Imperador da Lei, e o Estado Imperial, na figura do chefe de gabinete responsável pela Lei, o Visconde do Rio Branco.
Ana Flávia Magalhães Pinto e Itan Cruz (2022) chamam atenção para a opção do artista em representar uma criança escravizada que se distanciava dos indivíduos contemplados pela Lei do Ventre Livre: mães, bebês ou adultos em condições de arcar com sua alforria. Um menino daquela idade não seria automaticamente liberto por força daquela lei, tida pelos parlamentares como um "mal necessário" e definitivo para evitar medidas futuras que ameaçassem o gradual fim da escravidão. A escravidão permanecia, e a afirmação da liberdade proposta pela placa se contrapõe ao repertório da escravidão com que se caracteriza o menino.
Referências expográficas
Exposição “Histórias da Infância”, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand/SP, 07 de abril a 31 de julho de 2016. | Exposição de longa duração "A construção do estado", Museu Histórico Nacional, 2010
Referências bibliográficas
ARIZA, Marília. Comprando brigas e liberdade... . In: "Tornando-se livre: agentes históricos e lutas sociais no processo de abolição". São Paulo: Edusp, 2018, p. 65-83. | BARROSO, Gustavo Dodt. Catálogo geral - 1a seção: archeologia e história. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 1924. | BITTENCOURT, José Neves. As várias faces de um equívoco. Observações sobre o caráter da informação e da representação nos museus de história. Anais do MHN, v. 40, 2008. | CHALHOUB, Sidney. "Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na Corte". São Paulo: Companhia das Letras, 1990. | GONÇALVES, Aline. Como pensar o elemento servil: o lugar dos libertos nas expectativas das elites após a emancipação. In: "Revista Afro-Ásia", n. 60, 2019, p. 81-104. | JOVINO, Ione da Silva. "Crianças negras em imagens do século XIX". São Paulo: Desconcertos, 2021. | PINTO, Ana Flávia Magalhães; CRUZ, Itan. Alegoria à Lei do Ventre Livre". In: "Histórias do Brasil: 100 objetos do Museu Histórico Nacional (1922-2022)". Rio de Janeiro: MHN, 2022. p. 243-245.
Autoria das fotos
Jaime Acioli